Monday, January 16, 2006

O beijo


Não podemos ter duas vezes o mesmo banho de rio.

Suas correntes
o fazem parecer mutante.
Mas nossa caixa craniana
incuba inconstantes rebentos
e nossa caixa toráxica,
potentes arrombos.

Ao descansar à margem,
algo lhe sobe a perna.
E prepara o beijo.

Após o banho,
algo lhe sobe a perna.

Mas o contraste é gritante,
a mentalidade de rebanho
não se vê presente.

Após o banho,
algo lhe sobe a perna.

Você pensa se tratar da água
que desce pelo corpo.
Mas impossível,
definitivamente
é algo que lhe sobe a perna.

Algo lhe escala o corpo.
E lhe prepara o beijo,
o beijo de quem percebe a morte certa.

E então, qual a herança? O que lhe resta?

O agora.
As vestes,
o trajeto,
o dejeto.
Obediência.

Correntes.

Foi tempo onde tudo era,
o agora é agora.
Mas ainda assim seus pés estão sujos
do cascalho do caminho.

Olhe para baixo,
um escorpião lhe sobe a perna.

3 comments:

Anonymous said...

scorpion wins
fatality

Anonymous said...

scorpion wins
fatality

Anonymous said...

Mto bom!!!