Monday, August 20, 2007
A respeito daquelas conversas fiadas,
vieram cobrar, eu não tava em casa.
E toda a atencão que você me deu.
Tá aqui guardada ainda não usei
Apesar de toda essa imensa afronta,
de todas essas brigas que eu não comprei,
chances que eu desperdicei.
Assim como,
toda a esperança que eu depositei.
Não é de sua conta
irão render.
Apesar da baixa cotação de nosso palavreado.
A todos aqueles que devo satisfação,
envie por favor este recado
Devo não nego,
espero um dia poder pagar.
Mas,
sinto muito,
terão que esperar.
Obrigado
Atenciosamente,
EU
De toda essa ciência que eu não elaborei,
o que mais me agrada é poder me aproveitar
do que eu bem entender.
E todo este excedente
do qual eu não me apropriei,
agora apodrece em meio aos passos
apressados de pessoas bêbadas de decisão.
O cheiro de fim de festa exala como carne queimada.
Essas palavras não precisam agradar nem serem utilizadas.
Assim como todo vento que sopra,
não tenho como fim deixar árvores desfolhadas.
Mas por favor, não queiram me cobrar compreensão,
diante de tamanha metafísica afirmação
que busca apenas aplacar minhas reações exaltadas:
Ordens são ordens...
Sunday, March 26, 2006
Uma boquinha
qual é a idéia mesmo por trás da condição de estrela?
Matéria inorgânica em combustão,
é essa a idéia.
Suas imagens,
sempre viajam por longas distâncias antes de chegar até mim.
E quando chegam,
as vezes nem são mais o que costumavam ser.
E do alto do meu prédio,
reconheço todas olhando para o céu.
Consigo dar nomes,
contar a história de cada uma delas.
Desde proto-estrela até se tornar uma anã-branca.
As pessoas encolhem com a idade.
E todas (pessoas, estrelas),
sem exceção.
Proclamam um suntuoso futuro mineral,
tão sólido, tão real.
Que algumas vezes,
até parecem de verdade (pessoas, estrelas).
Todas (pessoas, estrelas) aguardam ansiosas o futuro mineral.
Fazem conjecturas.
E assim, ele já se vê presente.
Se solidifica. E todas já sabem como será o futuro mineral.
O tão aguardado futuro mineral.
Todas então se programam e fazem os ajustes necessários.
Mas em virtude de tais medidas,
o futuro se altera.
Mesmo ainda sendo o mesmo para as que o esperam.
Mas para aquelas mais bem informadas,
a questão passa a ser:
Qual será nosso futuro futuro mineral?
Em volta,
tudo já foi pensado. Resta muito pouco para mim.
Décadas de desenvolvimento,
e um computador.
Desertos, podem com facilidade,
se transformar,
nos vidros quadrados da minha janela.
Que ao refletir a luz, me lembra do brilho,
da beleza,
de nosso futuro futuro mineral.
Tão sólido, tão real.
Mais um pouco (alguns anos talvez),
e começo a achar que é realidade.
Talvez tenha alguma coisa a ver com aquilo que acontece
com a idade.
Os velhos:
se cansam.
E sentem dores nas costas.
Esperam, ansiosos,
pela hora de jantar.
E acham que estão munidos
de olhos para ver.
Sim, para ver.
Mas só o que está para ser visto.
Só o que se deixa ser visto.
Já vi de tudo. Com esses olhos,
que um dia,
a terra há de comer.
Mas a terra, não participará
sozinha deste banquete.
As pedras não perderiam por nada
essa boquinha. Nariz.
Testa. Orelhas. Todo resto.
Não somente os olhos ou a boquinha.
Tuesday, March 14, 2006
O cara que se caga
Estou inquieto.
Resolvo praticar aquilo que eu li em uma dessas revistas de Nova Era.
Deixar minha mente livre de qualquer pensamento.
Não consigo.
Viro para o lado.
Encaro agora a parede branca.
Serão as coisas tão ruins dessa forma?
Mas será que
De alguma outra,
Seriam melhores?
(noto o caráter conservador dessa minha reflexão)
Onde estará o problema?
Na gente,
No estado,
No setor privado?
Reviro para o outro lado.
Agora o armário
Aberto.
Roupa de cama,
Calças,
Camisas de botão
E uma televisão
Aposentada.
Torno a me virar.
Acendo a luz da luminária
E começo a ler um livro.
Tenho a esperança
De em breve cair no sono.
“Bendito seja o mesmo sol de outras terra
que faz meus irmãos todos os homens”
Se todos os homens são irmãos,
Quem é o pai?
Sempre haverá de ter um pai,
Mas...
Será que não há pai?
Será?
Começo a gritar:
-Oh pai! Responda-me! Pai! Pai! Você está aí?
Minha mãe entra no quarto.
Pergunta se eu estou ficando maluco,
ou se eu resolvi virar evangélico.
Mas sempre haverá um pai.
Nem que esse,
Seja o sol.
Mas, segundo Pessoa,
O homem verdadeiro
E primitivo,
Não adorava o sol,
Nem o ouro,
Nem o Deus,
Nem a arte,
Ou a moral.
Mas também. E acima de tudo.
Não eram irmãos.
Afinal, não tinham um pai.
E é claro,
Esta não deixa de ser uma vantagem.
Não, não se trata de uma demonstração de revolta contra meu pai,
Contra meu irmão,
Ou contra a instituição da família.
É só um constatação.
Apago a luminária (abajour é um pouco romântico demais,
Até mesmo porque
se trata mais de uma luminária o objeto pendendendo sobre a minha cabeça.
Abajour lembra aquela coisa redondinha,
com aquele negócio em cima que as pessoas não sabem o nome.
Além do que,
Quando se fala em abajour,
as pessoas logo lembram daquela luz quente, amarelada.
A luz da luminária não.
É branca, fria, dura.
Ou será só eu que vejo dessa forma?)
Muito bem,
Apago a luminária.
As luzes da rua proporcionam uma iluminação.
Suficiente para que eu possa ver a bagunça
Do meu quarto.
Além de formar uma série de listras
No teto.
E é para lá que eu olho.
Novamente a meditação.
Fecho os olhos,
Tento sentir minha respiração.
Outra vez,
Inconvenientes pensamentos.
Puta merda,
Começo a ficar tenso,
Sei que em cinco horas eu tenho que estar de pé.
E isso só me faz
Ficar acordado.
Sei disso.
Me sinto como aquele cara que se cagava.
Após frequentar o psicólogo,
Aceitava a sua condição,
E até mesmo,
Se tornava popular.
Até imagino:
-Ih, olha lá, é aquele cara que se caga.
-É verdade! Pô, isso que é ter personalidade!
Monday, January 16, 2006
O beijo
Não podemos ter duas vezes o mesmo banho de rio.
Suas correntes
o fazem parecer mutante.
Mas nossa caixa craniana
incuba inconstantes rebentos
e nossa caixa toráxica,
potentes arrombos.
Ao descansar à margem,
algo lhe sobe a perna.
E prepara o beijo.
Após o banho,
algo lhe sobe a perna.
Mas o contraste é gritante,
a mentalidade de rebanho
não se vê presente.
Após o banho,
algo lhe sobe a perna.
Você pensa se tratar da água
que desce pelo corpo.
Mas impossível,
definitivamente
é algo que lhe sobe a perna.
Algo lhe escala o corpo.
E lhe prepara o beijo,
o beijo de quem percebe a morte certa.
E então, qual a herança? O que lhe resta?
O agora.
As vestes,
o trajeto,
o dejeto.
Obediência.
Correntes.
Foi tempo onde tudo era,
o agora é agora.
Mas ainda assim seus pés estão sujos
do cascalho do caminho.
Olhe para baixo,
um escorpião lhe sobe a perna.
Tuesday, January 03, 2006
A confecção de um ponto
Seria esta frase um desejo, ou
uma desculpa.
Aponto a arma,
como quem aponta um lápis, ou
afia uma faca.
Utilizada impunemente para limpar peixe.
A verdade, é que a verdade
ainda é um bom negócio,
e é claro, o cliente sempre tem razão.
No centro da terra,
todas as direções apontam para cima.
Mas devo avisar:
não espere
meu corpo chegar,
até a curva,
onde supostamente,
ele deveria estar,
caso arremessado
para dentro do buraco.
Ou caso arrancado
após puxar os próprios cabelos.
Avisarei apenas sete vezes:
eu não estarei lá
conforme previamente combinado.
Conforme previamente combinado.
conforme previamente combinado.
Conforme previamente combinado.
conforme previamente combinado.
Conforme previamente combinado.
Conforme previamente combinado.
- É uma beleza este listrado, pena não combinar com as cortinas.
- Mas e estas flores? Ficam em cima da mesa?
- Não embaixo.
- Mas... será que ele vai aparecer?
- Pouco provável.
No centro da terra,
todas as direções apontam para baixo.
E enfim, apareço vestindo um lindo listrado.
No centro da terra,
todas as direções apontam para a esquerda.
No centro da terra,
todas as direções apontam para a direita.
E só ir lá pra ver.
Monday, December 05, 2005
A fala de alguém por aí
Queiram me convidar.
Não me ocorrem, senão,
frases feitas
por alguém outro.
Sou atraído por sinais contraditórios:
TENTANDO CAUSAR ALGUM DESVIO DE DIREÇÃO
Mas a rotação em torno do chão, prossegue:
-Qual é a razão disso? Digo... Um cachorro que persegue o rabo?
-Faz um círculo na poeira.
-É claro... Concordo contigo. Mas e aí?
-Sem dúvida, é poeira guardada na eiva.
-Nossa eiva.
Enquanto isso, em algum outro lugar...
Existe sim um navio!
Eu o vi na entrada de uma grandiosa cidade,
toda erguida em pedras brancas
carregadas nas ancas dos seus moradores.
Também ouvi o canto dos seus construtores, que
por ordem do rei dali, a ergueram no alto de um árido monte
com uma bela vista para o oásis (aqui no sentido de qualquer coisa que muito se almeja).
A abundância incentiva comportamentos extravagantes.
E às vezes, por demais vagantes.
Mas como procuravam se estabelecer,
de nada adiantaria o vagar.
O objetivo sim, era ocupar.
Ou melhor, ocupar-se,
pois essa, foi a conclusão que mais tarde chegaram.
Quão bela era a cidade!
Mas agora, nada mais tinham a fazer.
Após ocuparem-se por anos,
afoitos se recolheram para o navio
e partiram em direção à outra virtual metrópole.
Dialogue two:
-Mas vocês querem mesmo colocar outro tijolo nesta construção horrenda? Vocês concordam com esta loucura?
-Não há outra opção, colocaremos outro tijolo de uma maneira ou de outra. Nada pode conter o caminhar do Portiscéfalo.
Texturas
Por favor, contem comigo.
Lembro bem tudo o que comi ontem.
Consigo identificar padrões entre todas estas figuras.
Muito me orgulho de minhas competências.
Acontece, que com certa frequência
me acho um completo idiota.
Cheio até o limite do transbordamento.
E quando toda essa substância começar a cair pelo topo de minha cabeça.
Não irão querer-me por perto.
Mas se veio esperando recompensa,
volte. Aqui somente lhe espera o tédio.
Mas se mesmo assim quiser esperar,
pegue as revistas dentro da cesta.
São todas esperanças tão lisas que lhe são apresentadas,
que ao passar a mão pelo papel,
não será capaz de perceber quão ásperas as coisas podem ser.
A areia,
certamente é áspera.
Porém, sem sombra de
dúvidas,
assim são as personalidades.
Não é possível alisá-las.
Eu gosto das sombras,
são sempre um conforto.
Depois do flash, tudo é branco.
Tudo é liso.
