Afinal,
qual é a idéia mesmo por trás da condição de estrela?
Matéria inorgânica em combustão,
é essa a idéia.
Suas imagens,
sempre viajam por longas distâncias antes de chegar até mim.
E quando chegam,
as vezes nem são mais o que costumavam ser.
E do alto do meu prédio,
reconheço todas olhando para o céu.
Consigo dar nomes,
contar a história de cada uma delas.
Desde proto-estrela até se tornar uma anã-branca.
As pessoas encolhem com a idade.
E todas (pessoas, estrelas),
sem exceção.
Proclamam um suntuoso futuro mineral,
tão sólido, tão real.
Que algumas vezes,
até parecem de verdade (pessoas, estrelas).
Todas (pessoas, estrelas) aguardam ansiosas o futuro mineral.
Fazem conjecturas.
E assim, ele já se vê presente.
Se solidifica. E todas já sabem como será o futuro mineral.
O tão aguardado futuro mineral.
Todas então se programam e fazem os ajustes necessários.
Mas em virtude de tais medidas,
o futuro se altera.
Mesmo ainda sendo o mesmo para as que o esperam.
Mas para aquelas mais bem informadas,
a questão passa a ser:
Qual será nosso futuro futuro mineral?
Em volta,
tudo já foi pensado. Resta muito pouco para mim.
Décadas de desenvolvimento,
e um computador.
Desertos, podem com facilidade,
se transformar,
nos vidros quadrados da minha janela.
Que ao refletir a luz, me lembra do brilho,
da beleza,
de nosso futuro futuro mineral.
Tão sólido, tão real.
Mais um pouco (alguns anos talvez),
e começo a achar que é realidade.
Talvez tenha alguma coisa a ver com aquilo que acontece
com a idade.
Os velhos:
se cansam.
E sentem dores nas costas.
Esperam, ansiosos,
pela hora de jantar.
E acham que estão munidos
de olhos para ver.
Sim, para ver.
Mas só o que está para ser visto.
Só o que se deixa ser visto.
Já vi de tudo. Com esses olhos,
que um dia,
a terra há de comer.
Mas a terra, não participará
sozinha deste banquete.
As pedras não perderiam por nada
essa boquinha. Nariz.
Testa. Orelhas. Todo resto.
Não somente os olhos ou a boquinha.
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