Afinal,
qual é a idéia mesmo por trás da condição de estrela?
Matéria inorgânica em combustão,
é essa a idéia.
Suas imagens,
sempre viajam por longas distâncias antes de chegar até mim.
E quando chegam,
as vezes nem são mais o que costumavam ser.
E do alto do meu prédio,
reconheço todas olhando para o céu.
Consigo dar nomes,
contar a história de cada uma delas.
Desde proto-estrela até se tornar uma anã-branca.
As pessoas encolhem com a idade.
E todas (pessoas, estrelas),
sem exceção.
Proclamam um suntuoso futuro mineral,
tão sólido, tão real.
Que algumas vezes,
até parecem de verdade (pessoas, estrelas).
Todas (pessoas, estrelas) aguardam ansiosas o futuro mineral.
Fazem conjecturas.
E assim, ele já se vê presente.
Se solidifica. E todas já sabem como será o futuro mineral.
O tão aguardado futuro mineral.
Todas então se programam e fazem os ajustes necessários.
Mas em virtude de tais medidas,
o futuro se altera.
Mesmo ainda sendo o mesmo para as que o esperam.
Mas para aquelas mais bem informadas,
a questão passa a ser:
Qual será nosso futuro futuro mineral?
Em volta,
tudo já foi pensado. Resta muito pouco para mim.
Décadas de desenvolvimento,
e um computador.
Desertos, podem com facilidade,
se transformar,
nos vidros quadrados da minha janela.
Que ao refletir a luz, me lembra do brilho,
da beleza,
de nosso futuro futuro mineral.
Tão sólido, tão real.
Mais um pouco (alguns anos talvez),
e começo a achar que é realidade.
Talvez tenha alguma coisa a ver com aquilo que acontece
com a idade.
Os velhos:
se cansam.
E sentem dores nas costas.
Esperam, ansiosos,
pela hora de jantar.
E acham que estão munidos
de olhos para ver.
Sim, para ver.
Mas só o que está para ser visto.
Só o que se deixa ser visto.
Já vi de tudo. Com esses olhos,
que um dia,
a terra há de comer.
Mas a terra, não participará
sozinha deste banquete.
As pedras não perderiam por nada
essa boquinha. Nariz.
Testa. Orelhas. Todo resto.
Não somente os olhos ou a boquinha.
Sunday, March 26, 2006
Tuesday, March 14, 2006
O cara que se caga
Olho para o teto.
Estou inquieto.
Resolvo praticar aquilo que eu li em uma dessas revistas de Nova Era.
Deixar minha mente livre de qualquer pensamento.
Não consigo.
Viro para o lado.
Encaro agora a parede branca.
Serão as coisas tão ruins dessa forma?
Mas será que
De alguma outra,
Seriam melhores?
(noto o caráter conservador dessa minha reflexão)
Onde estará o problema?
Na gente,
No estado,
No setor privado?
Reviro para o outro lado.
Agora o armário
Aberto.
Roupa de cama,
Calças,
Camisas de botão
E uma televisão
Aposentada.
Torno a me virar.
Acendo a luz da luminária
E começo a ler um livro.
Tenho a esperança
De em breve cair no sono.
“Bendito seja o mesmo sol de outras terra
que faz meus irmãos todos os homens”
Se todos os homens são irmãos,
Quem é o pai?
Sempre haverá de ter um pai,
Mas...
Será que não há pai?
Será?
Começo a gritar:
-Oh pai! Responda-me! Pai! Pai! Você está aí?
Minha mãe entra no quarto.
Pergunta se eu estou ficando maluco,
ou se eu resolvi virar evangélico.
Mas sempre haverá um pai.
Nem que esse,
Seja o sol.
Mas, segundo Pessoa,
O homem verdadeiro
E primitivo,
Não adorava o sol,
Nem o ouro,
Nem o Deus,
Nem a arte,
Ou a moral.
Mas também. E acima de tudo.
Não eram irmãos.
Afinal, não tinham um pai.
E é claro,
Esta não deixa de ser uma vantagem.
Não, não se trata de uma demonstração de revolta contra meu pai,
Contra meu irmão,
Ou contra a instituição da família.
É só um constatação.
Apago a luminária (abajour é um pouco romântico demais,
Até mesmo porque
se trata mais de uma luminária o objeto pendendendo sobre a minha cabeça.
Abajour lembra aquela coisa redondinha,
com aquele negócio em cima que as pessoas não sabem o nome.
Além do que,
Quando se fala em abajour,
as pessoas logo lembram daquela luz quente, amarelada.
A luz da luminária não.
É branca, fria, dura.
Ou será só eu que vejo dessa forma?)
Muito bem,
Apago a luminária.
As luzes da rua proporcionam uma iluminação.
Suficiente para que eu possa ver a bagunça
Do meu quarto.
Além de formar uma série de listras
No teto.
E é para lá que eu olho.
Novamente a meditação.
Fecho os olhos,
Tento sentir minha respiração.
Outra vez,
Inconvenientes pensamentos.
Puta merda,
Começo a ficar tenso,
Sei que em cinco horas eu tenho que estar de pé.
E isso só me faz
Ficar acordado.
Sei disso.
Me sinto como aquele cara que se cagava.
Após frequentar o psicólogo,
Aceitava a sua condição,
E até mesmo,
Se tornava popular.
Até imagino:
-Ih, olha lá, é aquele cara que se caga.
-É verdade! Pô, isso que é ter personalidade!
Estou inquieto.
Resolvo praticar aquilo que eu li em uma dessas revistas de Nova Era.
Deixar minha mente livre de qualquer pensamento.
Não consigo.
Viro para o lado.
Encaro agora a parede branca.
Serão as coisas tão ruins dessa forma?
Mas será que
De alguma outra,
Seriam melhores?
(noto o caráter conservador dessa minha reflexão)
Onde estará o problema?
Na gente,
No estado,
No setor privado?
Reviro para o outro lado.
Agora o armário
Aberto.
Roupa de cama,
Calças,
Camisas de botão
E uma televisão
Aposentada.
Torno a me virar.
Acendo a luz da luminária
E começo a ler um livro.
Tenho a esperança
De em breve cair no sono.
“Bendito seja o mesmo sol de outras terra
que faz meus irmãos todos os homens”
Se todos os homens são irmãos,
Quem é o pai?
Sempre haverá de ter um pai,
Mas...
Será que não há pai?
Será?
Começo a gritar:
-Oh pai! Responda-me! Pai! Pai! Você está aí?
Minha mãe entra no quarto.
Pergunta se eu estou ficando maluco,
ou se eu resolvi virar evangélico.
Mas sempre haverá um pai.
Nem que esse,
Seja o sol.
Mas, segundo Pessoa,
O homem verdadeiro
E primitivo,
Não adorava o sol,
Nem o ouro,
Nem o Deus,
Nem a arte,
Ou a moral.
Mas também. E acima de tudo.
Não eram irmãos.
Afinal, não tinham um pai.
E é claro,
Esta não deixa de ser uma vantagem.
Não, não se trata de uma demonstração de revolta contra meu pai,
Contra meu irmão,
Ou contra a instituição da família.
É só um constatação.
Apago a luminária (abajour é um pouco romântico demais,
Até mesmo porque
se trata mais de uma luminária o objeto pendendendo sobre a minha cabeça.
Abajour lembra aquela coisa redondinha,
com aquele negócio em cima que as pessoas não sabem o nome.
Além do que,
Quando se fala em abajour,
as pessoas logo lembram daquela luz quente, amarelada.
A luz da luminária não.
É branca, fria, dura.
Ou será só eu que vejo dessa forma?)
Muito bem,
Apago a luminária.
As luzes da rua proporcionam uma iluminação.
Suficiente para que eu possa ver a bagunça
Do meu quarto.
Além de formar uma série de listras
No teto.
E é para lá que eu olho.
Novamente a meditação.
Fecho os olhos,
Tento sentir minha respiração.
Outra vez,
Inconvenientes pensamentos.
Puta merda,
Começo a ficar tenso,
Sei que em cinco horas eu tenho que estar de pé.
E isso só me faz
Ficar acordado.
Sei disso.
Me sinto como aquele cara que se cagava.
Após frequentar o psicólogo,
Aceitava a sua condição,
E até mesmo,
Se tornava popular.
Até imagino:
-Ih, olha lá, é aquele cara que se caga.
-É verdade! Pô, isso que é ter personalidade!
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