Tuesday, January 03, 2006

A confecção de um ponto

Não me faz mal nenhum.
Seria esta frase um desejo, ou
uma desculpa.

Aponto a arma,
como quem aponta um lápis, ou
afia uma faca.
Utilizada impunemente para limpar peixe.

A verdade, é que a verdade
ainda é um bom negócio,
e é claro, o cliente sempre tem razão.

No centro da terra,
todas as direções apontam para cima.

Mas devo avisar:
não espere
meu corpo chegar,
até a curva,
onde supostamente,
ele deveria estar,
caso arremessado
para dentro do buraco.
Ou caso arrancado
após puxar os próprios cabelos.

Avisarei apenas sete vezes:
eu não estarei lá

conforme previamente combinado.

Conforme previamente combinado.

conforme previamente combinado.

Conforme previamente combinado.

conforme previamente combinado.

Conforme previamente combinado.

Conforme previamente combinado.

- É uma beleza este listrado, pena não combinar com as cortinas.
- Mas e estas flores? Ficam em cima da mesa?
- Não embaixo.
- Mas... será que ele vai aparecer?
- Pouco provável.

No centro da terra,
todas as direções apontam para baixo.

E enfim, apareço vestindo um lindo listrado.

No centro da terra,
todas as direções apontam para a esquerda.

No centro da terra,
todas as direções apontam para a direita.

E só ir lá pra ver.

2 comments:

Anonymous said...

É verdade... a verdade ainda é um bom negócio...
Muito bom poder ler, sentir e pensar... não precisa ser nessa ordem, pode ser tudo misturado... o que torna tudo bem mais interessante principalmente nesse poema.

Anonymous said...

wow